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Vinícius de Moraes
Soneto do Amor como um rio Este infinito amor que um ano faz Que é maior do que o tempo e do que tudo Este amor que é real, e que, contudo, Eu já não cria que existisse mais. Este amor que surgiu insuspeitado E que dentro do drama fez-se paz Este amor que é o túmulo onde jaz Meu corpo para sempre sepultado. Este amor meu é como um rio, um rio Noturno, interminável e tardio A deslizar macio pelo ermo. E que em seu curso sideral me leva Fulminado de paixão na treva Para o espaço sem fim de um mar sem termo.
Batman - São Paulo - Brasil
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